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Caetano e o cinema calado.

Sou absolutamente fascinado por Caetano Veloso. Este, como poucos, é literalmente uma antena da raça. Foi através dele e Gil que, aos 17 anos, comecei a abandonar meus discos de heavy metal. No dia que ouvi “Ele me deu um beijo na boca”, no disco “Cores, nomes”, de 1982, certamente vivi uma epifania, a partir dali, quanto à música brasileira e, só bem mais tarde, fui entender, sobre ser nascido nesta terra.

A capa do Segundo Caderno de O Globo desta terça-feira, 3 de nov., traz mais uma das inúmeras leituras, quiçá, exageradas, sobre as idéias do estimado baiano. Numa entrevista a um jornal de João Pessoa, ao jornalista Silvio Osias, Caê derrama observações críticas, bem mais negativas que positivas sobre um outro ídolo meu: Woody Allen. Uma pena que a matéria do Segundo só tenha publicado a íntegra das observações de Caetano em www.oglobo.com.br/cultura.  

O diretor de películas como “Manhattan” e o recente “Vicky, Cristina, Barcelona” é enquadrado pelo gestor de “Cinema trasncendental” em frases como:

Mas sei que ter saído de casa para ir ao cinema era um pouco demais para filmes tão estreitos. A TV é perfeito veículo para Allen. 

Gay, maconha, rock, Bob Dylan, tudo isso é desprezado por ele.

Bem, há mais o q ler e o endereço está acima. Eu gostaria de pontuar algo sobre as palavras do bardo baiano e também sobre opiniões de quem falou ao Globo sobre esta não-polêmica.

Caetano é fã ardoroso de cinema a ponto de ter concebido o controverso “Cinema falado”. Certamente que a grande tela está para ele assim como a literatura para o não menos genial Chico Buarque. E tem todo o direito a pensar a obra e o ser humano Woody como quiser. Meu espanto vem do fato que, ao longo de sua vida, em suas observações, mais uma vez há dois pesos e duas medidas.

Como alguém que legitima movimentos estéticos pobres _ a despeito de sua identidade sociológica _ como o funk carioca; questiona os limites entre brega e kitsch ao reler composições indigestas como “Cucurrucucú paloma”; grava “ao vivo”, em estúdio, com o pagodeiro Alexandre Pires; chama o falecido ACM (Deus o tenha no inferno ou me leve para lá) de “sensual”; e nos últimos tempos passou a escrever pérolas como “… você foi mó rata comigo”; se vê no direito de achincalhar o Woody. Logo o WOOODDDYY, Caê? “A TV é o veículo perfeito…”

Entre minhas passagens com Caetano, como jornalista do JB e Globo nos anos 90, lembro de duas. Uma quando o provoquei (kkkkkkkk, logo meu ídolo) do porque não levar o Xandy (lembram dele?) ou algum outro puxador de axé, para um evento seríssimo na França, sobre música brasileira, para o qual fora convidado qual um curador. Ele, q não é bobo, chamou o Lenine. Pois aí o buraco era mais embaixo. E noutra fiquei estupefato quando ele me disse que “Central do Brasil” era um filme com visão parcial ou estreita, sinceramente não lembro da palavra usada, e q “Tieta”, do Cacá Diegues era um filme com algo como “alumbramento” bem mais amplo do país.

Quanto a segunda frase, ô Caetano, não foi vc q escreveu algo arrebatador como “É proibido, proibir”? Se a seara do WA não é gay, ou maconha, Dylan, etc… qual o problema? Cada um escolhe o tema que quer e se a Broadway contemporânea é um porre, perto de Irving, Lorenz, Jerome, Richard, etc… que prazer assistir a algo totalmente direcionado às bilheterias _ coisa que atores, cantores, músicos e diretores adoram: audiência abarrotada _ como ”Match point”. Ótimas atuações, direção exemplar e roteiro arrebatador.

Um filme clássico, timbre noir, como as harmonias do jazz q sempre esnobou Dylan, preferiu a heroína à maconha e ao expressar discriminação esteve mais ao lado da emancipação negra nos Estados Unidos do que qualquer outra bandeira. Mesmo q esta tivesse seis cores.      

 Esse é o Caetano que tanto amo, venero e, por isso mesmo, paro para discordar.

ps: ficou longo. semana q vem comento a matéria de hj ou alguma repercussão.

2 Comentários em “Caetano e o cinema calado.”

  1. 1
    Beni Borja:

    Braulio,

    Bom te ver de volta ao blog…

  2. 2
    braulio:

    valeu querido

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