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Chico Xavier e Collor: bi-míope

Enxergo mal desde sempre. Congênito. Além de um estrabismo leve, mas q me impede, por exemplo, de dirigir ou ler com um dos meus olhos, a expressão mais marcante das minhas deficiências visuais é a miopia. Enxergo mal no mundo secular. Quanto mais no espiritual.

Pensando na trajetória do cultuado médium brasileiro Chico Xavier, chego à conclusão q sou bi-míope. Não enxergo bulhufas no dito campo espiritual. Almas, fantasmas, etc… por favor, pra longe de mim. Tenho medo. Coragem teve o Chico q não enxergou ou não quis enxergar a aura penada do então candidato à presidência Fernando Collor. Chico também usava óculos, mas quem o cercou e o segue e respeita até hoje, afirma q ele tinha capacidade de ver aquilo q escapa às retinas de pobres mortais como eu.

Como o Brasil já teria avançado bem mais se não tivessem ocorrido estes estrumes, acintes históricos q foram o Golpe de 64 e a chegada ao poder do Collor. A despeito de muitas críticas, como FHC e Lula fizeram o Brasil andar. E o Sr. Chico Xavier, frente à eleição na senzala, dá seu apoio ao feitor. A um filho do coronelismo. Ainda bem q sou bi-míope.

Porém, fazendo autocrítica, pode ser q ele estivesse enxergando o q realmente nenhum de nós poderia ver: um desastre nacional com a precoce chegada ao poder do PT em 1989. Pois quando vejo o Lula chamando dissidente cubano de “bandido” e o Roberto Jefferson de “companheiro”, só uma coisa me vem à cabeça: esse sujeito tá incorporado.

Tive formação familiar religiosa. O cristianismo, por mais q isso possa parecer inverossímil, passou o verniz q faltava na minha complexa e contraditória visão de mundo. Fui da esquerda da igreja evangélica. Subi favela, conheci o MST (ou seu nascedouro) no final dos anos 80 em contato com os católicos das comunidades eclesiais de base. Me afastei da religião. Seja ela qual for. Conheci poucos na vida q se buscaram em qualquer religião seu preceito básico _ o re-ligare (o reencontro com o mistério, o divino, a consciência q amar a Deus acima de tudo e ao próximo como nós memos é q é a parada). Escolhemos religiões q projetem nossas identidades ao invés de nos transformarmos por causa delas. Naquela época, eu queria fazer política e o marxismo tornou-se um capítulo subliminar aos ensinamentos de JC.

Nunca conheci um espiritualista revoltado com a realidade covarde da raça humana. Onde, hoje, menos de 400 pessoas controlam 40% do PIB planetário enquanto mais de 2 bilhões dia não tem água decente para beber ou local apropriado para defecar.

Podia ser uma figura de alta estirpe espiritual. Mas Chico Xavier, politicamente, foi um conservador. Que pena. Este é um mundo com fome por mudanças.

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